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08/12/2015
Artigo de Opinião "A Europa está a falhar na luta contra o terrorismo"

Artigo de Opinião publicado no Suplemento Europa de Novembro de 2015

Os ataques terroristas de 13 de novembro em Paris foram devasta dores não só pelo número de vítimas, mas pelo método usado: alvos indiscriminados, bombistas-suicida e comando organizado. O objetivo dos assassinos do Daesh na noite sangrenta daquela sexta-feira 13 foi arrasar o modo de vida cosmopolita, livre, jovem, multicultural. Foi entranhar-nos o medo.

Era sabido que ataques deste tipo iam ocorrer na Europa, como dias antes golpearam um avião russo e Beirute. É sabido que vão voltar a ser tentados em qualquer cidade europeia. Trágico é descobrirmos que apesar de sabemos, e apesar de terem sido evitados outros ataques, não conseguimos impedir um ataque desta natureza.

E não conseguiremos porque esta Europa carece de União, essencial na luta antiterrorista: falta uma união política em que os nossos Estados Membros aceitem trabalhar em conjunto, nomeadamente no que respeita a partilha de informações de segurança e cooperação policial e judicial; falta planeamento conjunto; falta uma avaliação de riscos de segurança comum. E falta Política Externa e de Segurança Comum e Politica Comum de Segurança e Defesa. A ligação de células terroristas entre a França e a Bélgica era conhecida, mas pouco se fez para desmantelar essas células,"adormecidas" ou não vemos também agora a França invocar a cláusula de solidariedade do Tratado Lisboa, mas a avançar sozinha bombardeando o Daesh em Raqqa, sem que os governos da UE até hoje se tivessem coordenado para agir em apoio daqueles que no terreno, na Síria e no Iraque, estão na linha da frente a combater contra os terroristas - os Peshmerga curdos; sem que se preocupem com o facto de o Daesh já estar a estabelecer bases na Líbia; e sem que as diplomacias europeias se organizem para barrar outros países de ajudarem financeira e logisticamente o Daesh e outras organizações terroristas...

A lição que temos de retirar dos ataques em Paris é que é absolutamente vital que os governos europeus comecem a trabalhar em conjunto para travar a ameaça terrorista que é hoje tão tragicamente concreta e aceitem que isso passa por uma estratégia coerente e supranacional. Os serviços de informação belgas estavam fartos de conhecer muitos dos atacantes de Paris, e as viagens de e para a Síria que tinham feito, mas não tinham partilhado com os congéneres franceses...

As prioridades de segurança naturalmente ganham agora um ímpeto renovado, mas é preciso que mantenhamos a cabeça fria para adotarmos e aplicarmos medidas que de facto contenham a radicalização e o extremismo violento que floresce no interior das nossas sociedades e que tem levado tantos jovens europeus a juntarem-se às fileiras terroristas. Importa refletir no facto de os atacantes de Paris, em janeiro e em novembro, serem europeus e maioritariamente franceses! É crucial reduzir as desigualdades, as discriminações, a exclusão, sentidas em comunidades migrantes de segunda geração em França e noutros países europeus. A resposta passa, em parte, claro, por políticas económicas e sociais fortes, coesas, focadas na emancipação social e económica dos cidadãos através da criação de emprego e de oportunidades na Europa e nos países da vizinhança: também pela nossa segurança coletiva importa acabar com a destrutiva política de austeridade cega.

 

 
 
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