04/04/2017
Tratando dos movimentos de refugiados e migrantes: o papel da Acção Externa da UE (debate)
Externalizar responsabilidades e fronteiras é receita para o desastre, para o descrédito da União Europeia e para mais insegurança dentro e fora dela. A Comissão e o Conselho evocam a segurança. Mas que segurança quando os Estados-Membros recusam abrir vias legais e seguras para refugiados imigrantes através de vistos humanitários ou da reunificação familiar e assim alimentam o negócio das redes de traficantes entregando gente desesperada à morte no Mediterrâneo e à criminalidade organizada detrás dessas redes, incluindo a criminalidade terrorista? A Comissão e o Conselho evocam acordos de readmissão como exemplo de cooperação com parceiros estratégicos.
Mas qual a estratégia face a uma Líbia que a União Europeia deixou soçobrar na atual incapacidade de governação? Qual a estratégia de nos tornarmos reféns de Erdogan no negócio imoral e ilegal? Ou em financiar governos que fabricam refugiados pela opressão e miséria que impõem aos seus povos, como o Governo etíope? Como apontam os colegas Valenciano e Díaz de Mera, é realmente urgente a ação externa com uma visão estratégica coerente com os valores e princípios europeus que lidere pelo exemplo e que respeite os direitos humanos e que diga aos nossos cidadãos que refugiados e imigrantes ajudam a combater o declínio demográfico nas nossas sociedades. Só assim defenderemos realmente a segurança dos europeus.