16/05/2017
A estratégia da UE para a Síria (debate)
Debatemos a estratégia da União Europeia para a Síria, mas há alguma? Ao ouvi-la, Senhora Mogherini, contentamo-nos em trabalhar para o pós-conflito.
Entretanto, a guerra prossegue. Dura há mais de seis anos, com mais de 400 mil mortos, 5 milhões de refugiados, 6 milhões de deslocados internamente. A Síria confronta-nos com mais do que a impotência da União Europeia, com a desumanidade da Humanidade.
Ainda nos últimos dias, vimos vídeos arrepiantes: cirurgias feitas na Síria, em campos de refugiados na vizinha Turquia, recolhendo órgãos em crianças ainda vivas para proveito das redes de traficantes, a acrescer a milhares de detenções e desaparecimentos pelo regime e por grupos terroristas ativos no terreno, na Síria, ao uso de gás sarin e outras armas químicas, massacres civis, etc.. A lista de horrores não tem fim, mas não comove nem move governos europeus.
Sra. Alta Representante, é no mínimo exigível que os Estados-Membros financiem adequadamente um mecanismo internacional imparcial e independente, estabelecido pela ONU, em dezembro de 2016, para investigar crimes de guerra cometidos por todas as partes no conflito sírio.
A justiça tem que ser prioridade, a impunidade é impedimento para a resolução do conflito e para qualquer perspetiva de paz duradoura no pós-guerra, como a Sra. Mogherini também o reconheceu.
Gostava de a ouvir também, Senhora Mogherini, dizer mais alto, confrontar os nossos Estados-Membros com a obrigação de acolherem vítimas e refugiados deste conflito, em vez de tentarem externalizar responsabilidades para países como a Turquia ou como a Líbia.
Não esquecemos que foi também a incapacidade dos nossos governos de atuar, coordenada e estrategicamente, que deixou as portas abertas à Rússia e ao Irão para apoiarem o regime criminoso de Assad, permitindo-lhe a ele e ao Daesh e aos outros grupos terroristas massacrarem o povo sírio, com consequências diretas para a nossa segurança, para a segurança regional e global.