05/10/2016
A situação na Síria (continuação do debate)
por escrito . - As imagens que nos chegam diariamente de homens, mulheres e crianças a serem indistintamente massacrados em Aleppo confrontam-nos com mais do que o falhanço moral da comunidade internacional: com a irrelevância diplomática e política da UE. O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, tocou ontem na ferida pedindo restrições ao poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança quando haja preocupações sérias de crimes de guerra, contra a humanidade ou genocídio: pediu que se ultrapasse o veto da Rússia para levar os responsáveis pela carnificina na Síria ao Tribunal Penal Internacional. Ajuda humanitária e diplomacia de bastidores são úteis, mas não bastam. A UE e os seus Estados-Membros têm sido incapazes de atuar estrategicamente, decisivamente, permitindo assim à Rússia explorar o vazio e aos terroristas de Assad, do Daesh e afins massacrarem o povo sírio, alimentando as razões por que milhares fogem e procuram desesperadamente refúgio na vizinhança e na Europa; e oferecendo mais gerações perdidas ao recrutamento terrorista. Não tenhamos ilusões: não venceremos a ameaça global do terrorismo enquanto deixarmos continuar a guerra na Síria, no Iraque, na Líbia. É a segurança europeia que está também em causa!