17/04/2018
A situação na Síria (debate)
Senhor Presidente, o uso de armas químicas não pode ser tolerado, onde quer que seja. Mas, como já vimos antes, bombardeamentos avulsos contra o arsenal de Assad, por mais cirúrgicos que sejam, não fazem nenhuma diferença estratégica para acabar com a guerra na Síria, nem para punir os criminosos, nem para impedir mais ataques químicos.
Precisamos que a União Europeia atue com determinação política, autonomia estratégica e músculo militar para fazer respeitar a proibição de armas químicas e, sobretudo, para exercer a responsabilidade de proteger o povo sírio, o povo que resta na Síria.
Antes de pagarmos a reconstrução na Síria e encorajarmos o regresso dos refugiados, é preciso uma solução política para o conflito, sim. Mas não haja ilusões, ela não vai ser encontrada, não vamos ajudar a encontrá-la, se não impedirmos que russos, iranianos, sauditas, turcos, americanos, israelitas, Assad e grupos terroristas, do Daesh à Al-Qaeda, continuem a usar o terreno sírio para guerras cruzadas, à custa do povo sírio.
Os Estados-Membros da União Europeia têm forças que podem mobilizar no quadro da Europa de Segurança e Defesa para impor no-fly zones na Síria, para abrir e defender corredores humanitários e para levar Assad e outros criminosos na Síria ao Tribunal Penal Internacional.
É isto que deve ser proposto pela Senhora Mogherini aos Estados-Membros. É com isto que eles devem ser confrontados. Basta de tolerância à impunidade, basta de falta de Europa.