14/01/2015
Situação no Egito (debate)
A liderança egípcia tem uma escolha a fazer: quer integrar a comunidade internacional como Estado de Direito e ser um ator responsável na região do Médio Oriente e Norte de África ou quer manter um Estado opressor do seu povo, pondo na prisão jornalistas, incluindo os da Al Jazeera, ativistas políticos e de direitos humanos, homossexuais, enquanto liberta o corrupto ditador Mubarak. O Egito pode ter hoje uma Constituição que fala em direitos humanos, direitos das minorias, direitos das mulheres, mas essa Constituição não está a ser aplicada. Esses direitos elementares estão a ser grosseira e massivamente violados. A justiça não funciona independentemente.
No Mediterrâneo, e além dele, bem precisaríamos de um Egito forte, influente, credível. Mas isso não se consegue estrangulando a democracia. Pelo contrário, cada Mubarak fabrica o seu Morsi e eles reaparecerão mais tarde ou mais cedo. A escolha europeia é mais por mais. Tem um reverso: é menos por menos. Perderemos todos no Mediterrâneo e além dele se da grandeza dos faraós, do iluminismo islâmico da Al-Azhar, da esperança renascida na Praça Tahrir pouco restar no Egito hoje amordaçado pelo General Al-Sisi.