26/10/2016
Políticas e acções europeias para proteger crianças no contexto das migrações (debate)
Senhor Presidente, relatos que ouvi em Lesbos, Atenas, Indomeni, Roma, Calais, Malmö e outros locais de chegada de refugiados imigrantes são desoladores, revoltantes, incómodos, principalmente quando vêm de crianças a quem falta tudo, incluindo acesso ao ensino, aconselhamento legal especializado, apoio psicológico, tantas vezes pais e familiares, com os riscos que gerações perdidas representam quer para os países de origem quer para a Europa.
Há ainda os mais vulneráveis entre os vulneráveis: crianças desacompanhadas, portadoras de deficiências, de minorias e milhares delas dadas como desaparecidas pela Europol. Em Malmö, polícias disseram-nos que se uma criança sueca desaparecesse revolviam o país à procura dela e dos responsáveis pelo desaparecimento, mas se fosse migrante ou refugiada não havia meios suficientes.
E os nossos governos europeus têm o desplante de invocar razões de segurança quando entregam, assim, crianças a predadores de todo o tipo, associados às redes de traficantes e, portanto, à criminalidade organizada a eles associada, que deixam impunes e cujo negócio, de facto, alimentam.
Comecemos por algum lado contra esta Europa desnaturada, desumanizada. Senhor Comissário, olhemos ao menos pelas crianças.