15/01/2014
Situação no Sudão do Sul
Senhora Presidente, três anos depois da independência, a violência e o sofrimento em larga escala voltaram ao Sudão do Sul, num desastre humanitário ao qual a União Europeia tem de acudir, em coordenação com outros atores internacionais e organizações locais, incluindo religiosas. Todo o esforço diplomático da União Europeia em Adis Abeba no quadro da mediação do IGAD deve procurar o cessar-fogo imediato, a libertação dos prisioneiros políticos em Juba e uma declaração inequívoca por parte dos líderes do Sudão do Sul de que a violência é travada e de que os perpetradores de violações de direitos humanos serão responsabilizados. É que, sem isso, a violência tornar-se-á modo de vida.
A comunidade internacional tem investido milhares de milhões de euros nos últimos anos na construção de capacidades de governação, infraestruturas, prestação de serviços básicos no Sudão do Sul. Precisamos de repensar esta estratégia, já que parece que estamos a favorecer os interesses de elites num governo cada vez mais autoritário, que favorece a corrupção e as respetivas etnias.
A violência étnica está a ser fomentada a partir do topo, está a tornar-se recorrente num país onde o exército é dividido. Por isso temos que implicar a União Africana para que responsabilize os líderes ao mais alto nível e garanta um compromisso para um governo interino até às eleições de 2015, um processo de reconciliação nacional inclusivo, e assegure investigações independentes sobre violações de direitos humanos e uma revisão constitucional abrangente.
Temos que fazer com que o Sudão do Sul acabe o conflito interno e não se preste a ser instrumentalizado pelo regime criminoso de Omar al-Bashir no norte e de outras potências regionais. Nesse sentido apoio as propostas de outros colegas para a renovação do mandato do representante especial da União Europeia, Embaixador Alexander Rondos.