12/06/2018
Apresentação do relatório anual de 2017 sobre direitos humanos e democracia no mundo e a política da UE sobre o assunto (debate)
Senhora Presidente, o respeito pelos direitos humanos no mundo, no último ano, conheceu acabrunhantes retrocessos. Para eles também contribuíram, lamentavelmente, contradições, disfunções e políticas perversas da União Europeia, que nos descredibilizam.
Em países grandes e pequenos onde a União tem influência, como a Etiópia ou o Barém, porque se calou diante de abusos sistemáticos, incluindo tortura, prisões arbitrárias, massacres. Ou como no Sudão, ou Mianmar, porque financiou e cooperou com governos que vivem de violar os direitos humanos. Porque deixou escalar na Síria, e noutros locais, os conflitos onde chega até, é o caso da Síria, sem saber ou querer, a financiar equipamento militar do regime de Erdogan, que persegue cruelmente curdos, jornalistas e quaisquer opositores dentro e fora do país, o regime com o qual a União Europeia fez um negócio imoral sobre refugiados.
Ou na Palestina, onde a União se resigna diante da ocupação israelita, que, além de inviabilizar a solução de dois Estados, significa repressão e humilhação de todo um povo que já conta centenas de manifestantes pacíficos assassinados em Gaza só neste ano. Nestes e noutros casos, a nossa credibilidade está em causa. Como podemos ser credíveis a promover os direitos humanos no mundo se também não olhamos para dentro da União Europeia?