13/03/2012
Conclusões do Conselho Europeu (1-2 de março de 2012)
Ana Gomes (S&D ). - Senhor Presidente, o pacto orçamental assinado há dias é a demonstração de que o crescimento e emprego continua a ser clamorosamente ignorado pelos líderes europeus. Se as PME são chave para o crescimento e emprego, e em particular o emprego jovem, como sublinhou o Presidente Barroso, não é escandaloso que, em particular nos países sob resgate e austeridade recessiva como o meu, elas estejam a ser asfixiadas por falta de crédito enquanto os bancos vão buscar liquidez ao BCE a 1 %, mas, imoralmente, continuam a recusar-lhes financiamento ou só o concedem em troca de juros exorbitantes?
Como explicar também a passividade dos nossos governos e da Comissão perante a evasão fiscal, apesar de o Sr. Barroso hoje aqui ter reconhecido que desvia mais de 1 trilião de euros do investimento na economia europeia?
O Fiscal Compact nem uma linha contém sobre harmonização fiscal, sobre controlo de off-shores , sobre combate ao dumping fiscal entre Estados-Membros, nem sequer sobre a taxa sobre as transações financeiras que, além de recursos adicionais para a investir, seria um princípio para controlar as transações financeiras na União Europeia. Admiramo-nos assim que os jovens europeus se vejam obrigados a sair da União Europeia? Em Portugal, onde a taxa de desemprego está acima dos 35 %, o Governo assume a incapacidade e a incompetência coletiva, encoraja-os a emigrar. Não morrem de vergonha?