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Intervenções
03/04/2014
Aspectos principais e opções básicas da política comum de relações externas e segurança e da política comum de segurança e defesa (Artigo 36 TEU) - Abordagem abragente da UE e coerência da acção externa da UE (debate)

Ana Gomes, em nome do Grupo S&D . - O Serviço Europeu para a Ação Externa e a Comissão Europeia estarão, com certeza, alerta para a situação calamitosa na Líbia, como de resto a Senhora Alta Representante já hoje aqui notou. Estão, mas a verdade é que a União Europeia tem feito pouco para intervir de forma coerente, institucional e operacionalmente num país que está na nossa vizinhança mais próxima, no qual se desenvolve uma dinâmica perigosíssima de vazio de poder combinada com a presença de milícias armadas, infiltrações terroristas, armas, petróleo e violação sistemática dos direitos humanos. A Líbia é hoje um país em risco de se tornar um estado falhado e de provocar um desastre securitário e até ecológico no Mediterrâneo.

Eu podia também falar da Síria, do Egito, da Ucrânia, da Rússia, enfim... Mas a Líbia espelha bem o estado da nossa política externa e de segurança comum, apesar dos esforços que eu reconheço e que saúdo da parte da Senhora Alta Representante.

Como pretende a União afirmar-se como fornecedor de segurança global, força promotora dos direitos humanos, the rule of law , da democracia e da paz no mundo se não consegue sequer contribuir de forma coerente para estabilizar a sua vizinhança? Na Líbia, nas relações com outros vizinhos onde há recursos como o petróleo, infelizmente os interesses nacionais míopes continuam a prevalecer sobre aquilo que os nossos Estados-Membros estão dispostos a dar pela coerência e a unidade europeias. Quem sofre é o povo líbio antes de mais mas, em segunda análise, quem perde somos todos nós, a Europa e a segurança dos cidadãos europeus, porque uma Líbia desgovernada à mercê de grupos terroristas vai transbordar para a Europa alguns dos seus mais graves problemas e a migração ilegal é apenas um deles.

A verdade é que perdemos tempo e oportunidades na Líbia. Uma contribuição efetiva para a capacitação de governação passa pela questão central da reforma do setor de segurança. Ela é urgente e é preciso compromisso, cooperação, coordenação, focos por parte das hierarquias comunitárias em Bruxelas mas também das nossas capitais. Se não continuaremos a jogar no lixo as vantagens e as inovações que o Tratado de Lisboa trouxe à política comum externa e de segurança e defesa.

 

 
 
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