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Intervenções
17/04/2019
Intervenção em sessão plenária - Eventual extradição de Julian Assange

A extradição de Julian Assange para os Estados Unidos deve ser impedida. Só assim poderemos afirmar que a Europa protege quem defende transparência e verdade e quem quer exprimir-se em sociedades livres e plurais. Com uma administração como a de Trump, que faz dos media o alvo de estimação, Assange nunca teria julgamento imparcial. Um julgamento nos EUA seria instrumentalizável para a destruição da liberdade de expressão, como o dizem organizações como a Human Rights Watch e a ACLU. E Assange correria riscos de ser condenado à pena capital. É só ver o que pena hoje a fonte de Assange, Chelsea Manning, sob tortura em confinamento na prisão.

Julian Assange deu decisivos contributos para a descoberta da verdade: revelou-nos atrocidades no Iraque e Afeganistão, hediondos crimes em Guantánamo e nas prisões secretas e a podridão, a hipocrisia e a criminalidade em sucessivas administrações americanas e até também em governos cúmplices, incluindo na Europa.

Eu própria beneficiei das revelações do Wikileaks: um ministro [português] que me acusou de enganar quando entreguei à Comissão de Inquérito do PE as listas dos voos da tortura cometidos pela CIA e militares que foram autorizados por Portugal, com destino e origem em Guantánamo, acabou exposto como rematado mentiroso pelo Wikileaks.

Mas se Julian Assange enfrenta as acusações de crime que lhe são feitas na Suécia deve responder por essas acusações na justiça sueca que oferece garantias de imparcialidade.

Importa dizer que confiamos na independência dos tribunais do Reino Unido e na Suécia, mas ao mesmo tempo pedir-lhes que não cedam às pressões de extradição para os EUA.

Não desvalorizo e inquieta-me que um Julian Assange, perturbado por sete anos de enclausuramento na embaixada do Equador, país que acabou por o entregar violando o asilo concedido, possa ter colaborado com a cleptocracia de Putin para interferir nas eleições americanas e atacar o Partido Democrático, como pode indiciar o relatório do Procurador Especial Mueller. Mas é aos tribunais de Estados-membros da União Europeia que cabe a responsabilidade de julgar Assange e garantir-lhe justiça imparcial e, desde já, proteção como whistleblower na linha da diretiva que hoje acabamos também de aprovar.

Proteger Assange é afirmar e proteger os valores e princípios europeus, as garantias dos direitos fundamentais acusados em justiça, é dar esperança a todos os que arriscam as vidas pela verdade, pela integridade e contra a criminalidade que tudo infiltra e até captura governos. Julian Assange merece essa proteção e merece beneficiar de todos esses direitos fundamentais na União Europeia.

 

 
 
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