16/04/2014
Liberdade religiosa e diversidade cultural (debate)
Ana Gomes, em nome do Grupo S&D . - Senhor Presidente, queria saudar antes de mais a minha colega Giannakou apenas porque, como ela nos disse ser esta a sua última intervenção neste Parlamento, mas sobretudo pela sua abertura para aceitar muitas das contribuições do meu próprio grupo para este seu relatório.
A União Europeia funda-se nos princípios fundamentais da paz, dos direitos humanos, da democracia e do Estado de direito. A promoção destes valores que queremos universais, transversalmente através de todas as políticas europeias, tem de ter também tradução, obviamente, na ação externa da União Europeia, nos fóruns multilaterais, nas relações com países terceiros, nos acordos assinados, nas políticas de comércio, de desenvolvimento, etc..
No mundo interdependente e globalizado em que vivemos, o conhecimento recíproco de algo entre civilizações assume, por isso, particular importância, incontornável para que esses valores universais, para a definição do que é do consenso em torno desses valores universais, que coincidem com a própria razão de ser da União Europeia.
Lutar contra todas as formas de extremismo, de xenofobia, de intolerância, de ódio é, por isso, um dos desafios prementes para a União Europeia. No mundo que não viu o fim da história com o colapso da União Soviética e, por isso, onde vemos diferenças culturais, religiosas, étnicas, sociais, económicas serem instrumentalizadas e agravarem desigualdades, pobreza, subdesenvolvimento e insegurança humana.
Temos o exemplo dramático da República Centro-Africana, onde diferenças religiosas de facto mascaram problemas com raízes muito mais profundas.
Para sermos eficazes, portanto, neste combate, é importante não perdermos a noção de que o extremismo e o terrorismo fundado no fanatismo religioso, que é uma das formas mais perversas do extremismo, de facto, fazem mais vítimas fora da Europa do que dentro dela. Fazem, no caso, por exemplo, do extremismo radical islâmico, muito mais vítimas entre os próprios crentes muçulmanos do que em qualquer outra comunidade. É portanto essencial não ceder à tentação instigada por correntes obscurantistas que tentam justificar discriminação e sectarismo a coberto de lutar contra o extremismo e contra o terrorismo.
Muitas vezes, neste Parlamento, nos pronunciámos sobre a necessidade de proteção das minorias cristãs no grande Médio Oriente, onde elas estão obviamente a ser alvo de campanhas seletivas e insidiosas para as excluir das sociedades onde elas estão profundamente enraizadas e onde fazem a riqueza dessas próprias sociedades. Mas é preciso não distorcermos o pano de fundo em que isto acontece e esse pano de fundo é que, nessas sociedades, são as comunidades muçulmanas que são as principais vítimas de violência sectária, terrorismo e extremismo no grande Médio Oriente e para além dele.
É por isso que eu penso, para terminar, senhor Presidente, que a União Europeia tem absolutamente que se bater por um reforço do direito internacional, dos mecanismos de multilateralismo eficazes e é por isso que a União Europeia devia estar na linha da frente da reforma e do alargamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas, porque só dessa maneira, é que teremos o fim da impunidade (foi cortada a palavra)...