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Intervenções
17/09/2014
Situação na Líbia

Ana Gomes, em nome do Grupo S&D . - Da minha visita a Benghazi, em maio de 2011, no meio do levantamento popular contra a ditadura de Kadafi, retenho viva memória do encontro com Salwa Bouguiguis, uma das heroínas da revolução e do futuro de liberdade, democracia e progresso que ela e milhões de líbios e líbias queriam para o seu país.

Salwa Bouguiguis foi cobardemente assassinada e o seu marido raptado no dia 25 de junho depois de terem ido votar nas últimas eleições líbias. Esta tragédia ilustra a espiral de violência e sectarismo que se abateu sobre o povo líbio no último ano e convoca à ação solidária e urgente da comunidade internacional. A violência está a comprometer a viabilidade do Estado na Líbia. E esta espiral, se tem muito a ver com as rivalidades internas, não podemos ignorar que é também instigada do exterior, quer por redutos kadafistas quer por forças terroristas com agendas desestabilizadoras da região.

A prioridade tem de ser investir na segurança e na reconciliação nacional. É preciso um cessar-fogo entre milícias rivais e trazer todas as partes para o diálogo. A União Europeia deve aplicar sanções sobre quem se puser à margem deste processo e continuar a instigar violência e caos na Líbia.

Na Conferência de Madrid, hoje, a par do apoio humanitário, é fundamental que a comunidade internacional e a União Europeia, em particular, decidam apoiar a formação de forças de segurança líbias, polícia e forças armadas sobre um comando central nacional para fornecer segurança numa região onde prolifera a criminalidade organizada com tráfico de seres humanos, armas, droga e terrorismo.

É da nossa própria segurança que também estamos aqui a falar. A Líbia pode estar à beira de se tornar um Estado falhado, santuário de redes terroristas armadas aqui à nossa porta, às portas da União Europeia. É preciso que a União Europeia não perca mais tempo e preste uma missão no quadro da política comum de segurança e defesa, que se concentre na assistência ao desarmamento e à reforma do sistema de segurança na Líbia. A disfuncionalidade líbia já tem um impacto direto na União Europeia. A tragédia humana e no Mediterrâneo, que cada dia se torna mais acabrunhante como o desastre que antes de ontem vitimou 500 desesperados.

Quando poremos em prática um mecanismo verdadeiramente europeu e solidário para salvar vidas? Termino, Senhor Presidente, a expressão da minha admiração e pedindo total apoio da União Europeia à ação de um europeu, Bernadino León, que foi recentemente nomeado representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Líbia e que está a fazer um trabalho extraordinário procurando exatamente negociar o cessar-fogo e iniciar um processo negocial inclusivo. Ele merece todo o nosso apoio.

 

 
 
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