26/10/2012
Discriminação contra raparigas no Paquistão, especialmente no caso de Malala Yousafzai
O cobarde ataque dos talibã a Malala Yousufzai acordou o mundo para a tragédia que é a vida das mulheres e das raparigas no Paquistão, que é hoje o terceiro país mais perigoso para as mulheres. A deriva extremista fundamentalista dita islâmica mas de facto anti-Islão, encarnada nos talibã, está na origem da violência contra as mulheres no Paquistão e no vizinho Afeganistão, negando o seu papel na sociedade, incluindo os básicos direitos à educação, à participação cívica, à escolha sobre como viver as suas vidas, à sua vida, como estamos a ver no caso de Malala. E a tragédia de Malala de facto abalou o mundo, abalou o próprio Paquistão.
A onda de solidariedade que se gerou em torno desta corajosa rapariga, cujo único crime foi o da ação e da palavra livre para exigir os seus direitos, não pode cair em saco roto. É hora de dizermos que o business as usual com o Paquistão acabou, é hora de exigir que as autoridades civis e militares paquistanesas se libertem das ligações perigosas e do poder controlador dos talibã e que se empenhem efetivamente na proteção do seu povo contra a intolerância e a violência religiosa que golpeia, muito em particular, as mulheres e as raparigas.
A União Europeia não pode cultivar relações nem investir em acordos de cooperação com um governo que se mantém em negação e nada faz, enquanto crianças são atacadas mortalmente por irem à escola, enquanto crianças são forçadas a casar, enquanto crianças são usadas como moeda de troca na resolução de disputas, enquanto crianças são treinadas por grupos armados para levar a cabo ataques suicidas com apoio dos Serviços da Inteligência Paquistanesa Militar. É com a sociedade civil do Paquistão, a sociedade que se mobiliza, que a União Europeia tem que interagir.