05/02/2014
Situação na Síria
Genebra II abriu um processo negocial que será longo e penoso mas tem de sentar a coligação nacional das forças revolucionárias e da oposição sírias, hoje profundamente divididas, com outros atores regionais e internacionais para as fazer chegar a uma solução política que ponha fim ao horrífico sofrimento do povo sírio e dos países vizinhos, em especial os que acolhem milhares de refugiados.
Foi um erro excluir o principal aliado do regime de Bashar al-Assad da mesa. O Irão é hoje um ator central no conflito e, por isso, vital para uma solução política. O acordo sobre o programa nuclear iraniano deveria ter permitido trazê-lo à mesa e empenhá-lo também num processo de busca de uma saída negociada para o conflito na Síria. Da mesma forma, interessa responsabilizar outros países da região, como a Arábia Saudita e o Catar, para que o apoio que prestam à oposição síria não continue a cair nas mãos de grupos extremistas e terroristas.
As negociações têm que ser iniciadas, têm que implicar medidas para restabelecer a confiança, definir cessar-fogos, acabar com cercos às áreas urbanas e populosas, libertar prisioneiros, facilitar o acesso humanitário, impor corredores humanitários. A solução para a Síria e para a região passa por uma transição política baseada no comunicado de Genebra, preservando a independência e a integridade do país.
Com quase três anos, a guerra civil na Síria já matou mais de cem mil pessoas; dez mil crianças, dizem as Nações Unidas, que têm demonstrado como estas são um dos grupos mais atingidos e neste conflito recrutadas como soldados, usadas como escudos humanos para o transporte de armas, comida, medicamentos, ou como mensageiros e espiões nas zonas de conflitos.
Esta violação sistemática dos direitos humanos e das crianças na Síria é mais uma das razões por que Bashar al-Assad e outros torcionários envolvidos no conflito da Síria há muito deviam já estar referenciados ao Tribunal Penal Internacional.
Também a situação dos palestinianos nas condições desesperadas de Yarmouk merecem uma intervenção da comunidade internacional e é por isso essencial que a União Europeia responsabilize as potências do Conselho de Segurança, e em especial a Rússia, para que não continuem a demorar a adoção de uma resolução que, ao menos, contemple a vertente humanitária do conflito.