11/12/2018
Intervenção no debate sobre o Relatório final com as conclusões e recomendações da Comissão Especial sobre o Terrorismo do Parlamento Europeu
Nesta Comissão Especial ouvimos dezenas de responsáveis de segurança interna e externa, de peritos, académicos e vítimas do terrorismo. Este relatório reflete o trabalho intenso e sério para identificar e corrigir erros e propor medidas para tornar mais eficaz um combate que é político, não só securitário.
Neste processo, reforçamos a convicção de que não se combate o terrorismo pondo em causa direitos fundamentais dos cidadãos: isso é fazer o jogo dos terroristas.
Propomos medidas contra o chocante falhanço dos nossos governos em aplicar a legislação europeia e as recomendações do Grupo de Ação Financeira (GAFI) contra o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo. É necessário criar uma Unidade de Informação Financeira Europeia e reformar o IVA para impedir que a "fraude carrossel" continue a financiar mafias transnacionais, incluindo terroristas.
Propomos medidas também para acabar com a hipocrisia dos governos europeus que abandonam as vítimas de terrorismo, uma vez desviados os holofotes mediáticos.
O meu Grupo propôs medidas para o reforço da cooperação europeia a todos os níveis, incluindo na intelligence, na interoperabilidade, no controle de fronteiras, por mais profissionalismo na gestão das cadeias, no controle do proselitismo religioso e da propaganda e recrutamento on line, pela segurança no ciber-espaço e no espaço público, contra o extremismo violento, incluindo o da extrema-direita nazi-fascista, que representa uma cada vez maior ameaça na Europa.
O que o meu Grupo não pode aceitar é a tentativa, por alguma direita, de estigmatizar emigrantes, como se gerassem terroristas. E como se não fosse a falta de investimento público na inclusão social a causa da radicalização de tantos cidadãos nascidos e criados em solo europeu. Como não aceitamos a tentativa de estigmatizar muçulmanos, quando eles constituem 95 por cento das vítimas de terrorismo globalmente e quando precisamos deles para combater grupos terroristas que perversamente invocam o Islão.