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Intervenções
11/09/2018
Intervenção sobre o estado das relações UE-China (debate)

A União Europeia tem um interesse estratégico nas relações com a China e para isso tem que dialogar com Pequim em todos os azimutes, da segurança global à reciprocidade nas relações comerciais, dos acordos sobre o clima às políticas de desenvolvimento sustentável, proteção de dados, cibersegurança, drogas sintéticas e outras formas de criminalidade organizada que vêm da China ou passam pela China.

Uma relação estratégica que ainda é mais crucial quando os Estados Unidos, de Trump, são um fator de perigoso questionamento do multilateralismo e de desestabilização internacional. Mas esta relação estratégica tem que procurar construir sinergias, nas quais não esperamos que a China atue em consistência com as suas obrigações desde logo como membro do permanente do Conselho de Segurança, membro da OMC e na base dos acordos com a União. E para isso nós, União Europeia, não podemos eximir-nos, de maneira nenhuma, de falarmos nos direitos humanos, de fazer ver a Pequim que é um tiro no pé, contraproducente, é inaceitável a repressão interna dos ativistas de direitos humanos, sindicalistas, às minorias Uigur, tibetanas, cristãs, Falun Gong, o que seja.

A credibilidade da potência global que é a China depende, mede-se, pela sua influência ou pelos receios que inspira, desde logo na sua própria região, portanto na península coreana, Taiwan e nos mares do Sul e que se projeta globalmente. Mas, para termos esta relação win-win , como diz a Sr.ª Mogherini, nós temos que saber quais são os nossos interesses estratégicos como União Europeia, temos de saber afirmar a nossa autonomia estratégica. Ora, ela não se acautelou quando estes últimos anos de políticas neoliberais levaram várias empresas e setores críticos da própria União Europeia e dos Estados-Membros a ficarem controladas pelo Partido Comunista Chinês.

Nos últimos dez anos a China investiu em ativos na Europa um valor superior a 318 mil milhões de dólares e controla hoje infraestruturas críticas, portos, redes de energia, telecomunicações, até empresas tecnológicas de defesa e de segurança, na Grécia, no meu país, Portugal, e noutros Estados-Membros.

Portanto, enquanto, de facto, não assumimos que isto tem que parar e a Comissão acordou, acordou tarde, mas acordou, o que vejo é que os Estados-Membros ainda não acordaram e há muitos que continuam a viver numa ilusão mercantilista relativamente à China.

 

 
 
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