11/03/2015
Relatório anual ao Parlamento Europeu, apresentado pela Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança (debate)
A guerra voltou ao continente europeu com a agressão da Rússia de Putin à Ucrânia, quando a Europa defronta um arco de conflitos a leste e a sul. Talvez o perigo ressuscite a ideia de o exército europeu, muito desejável aos olhos de uma federalista como eu, mas longe de se realizar pela continuada relutância dos Estados-Membros em investirem na política externa e de segurança comum e na política comum de segurança e defesa, coordenando e conjugando recursos e capacidades civis e militares.
Os nossos governos não podem continuar a malbaratar o dinheiro dos contribuintes e a comprometer a segurança das nossas sociedades face a ameaças transfronteiras, que nenhum Estado-Membro pode enfrentar sozinho, como o terrorismo. Como se sublinha no relatório do Colega Brok, é hoje impossível separar segurança interna da externa. Exige-se investimento estratégico e coordenado nas necessárias capacidades.
Temos os instrumentos mas tem-nos faltado orientação estratégica e ambição. Basta olhar para a quase Somália à nossa porta na Líbia, por omissão da Europa depois da queda de Kadhafi. Se a União quer defender os seus cidadãos e os seus interesses e afirmar-se como prestador global de segurança, então, tem de arrumar a casa e de pôr em prática a política externa e a política comum de segurança e defesa, articulando estrategicamente todo o espectro de políticas internas e externas.
Tem de rever imediatamente o financiamento da ação externa, em particular as missões militares no quadro da política comum de segurança e defesa. Tem de tratar, antes de acenar com o exército europeu, de estabelecer um quartel-general permanente e de reforçar a base industrial e tecnológica de defesa que tem estado a destruir com as políticas de austeridade. E tem de desencadear a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde a União Europeia tem de ter assento permanente e conseguir restringir o incapacitante direito de veto.