24/10/2018
Intervenção de Ana Gomes no debate, em sessão plenária, sobre as conclusões da reunião do Conselho Europeu de 17 e 18 de outubro de 2018
À parte o Brexit, o Conselho mostrou os nossos Governos bloqueados.Continuam a alimentar o negócio dos traficantes de seres humanos, ao não abrir vias legais, seguras e controladas, para migrantes e refugiados.
Deixam afogar no Mediterrâneo gente pobre, enquanto 18 Estados Membros vendem Vistos Gold a migrantes ricos, pondo em risco a segurança europeia, infiltrados, corrompidos e capturados por cleptocratas e mafias.
Sem cuidar da Eurozona, o Conselho adia taxar os gigantes do digital via CCCTB (matéria colectável comum consolidada do imposto sobre as sociedades), e deixa grupos criminosos, incluindo terroristas, continuarem a financiar-se com a fraude carrossel, sem reformar o IVA.
O Conselho clama por interoperabilidade, mas a maior parte dos Governos não está sequer a operacionalizar o PNR [Diretiva], as listas de passageiros que dizem vitais contra o terrorismo, mas de que excluiram os voos civis privados - como os que levaram a Istanbul os assassinos do jornalista Kashoggi, que em muitos aeroportos europeus não seriam controlados...
O presidente Tusk condenou hoje esse brutal assassinato, mas o Conselho nada fez para parar a exportação de armas para a ditadura saudita. Não admira! Passou um ano sobre o assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia: os assassinos continuam à solta, impunes, e Joseph Muscat, principal responsável por a investigação estar parada em Malta, tem assento no Conselho Europeu. Todos os que lá se sentam deviam corar de vergonha.
[Estrasburgo, 24 de outubro de 2018]