12/06/2013
Situação na Turquia (debate)
Senhor Presidente, os prolongados protestos em Istambul e outras cidades da Turquia demonstram que muitos naquele país perderam a paciência com o estilo autoritário e repressivo do Primeiro-Ministro Erdogan, tristemente evidenciado na sua reação aos pacíficos manifestantes contra a destruição do parque Gezi. Como bem disse o Presidente Gül, democracia é mais do que eleições. Democracias não carregam sobre manifestantes, não cilindram protestos de cidadãos com bulldozers nem prendem jornalistas, e a Turquia é, vergonhosamente, como hoje já aqui foi dito, a maior prisão de jornalistas no mundo. Não foi por acaso que o que incendiou os protestos e os estendeu a outras cidades foi a indignação dos cidadãos por rádios e televisões nacionais estarem a calar o que os media internacionais projetavam da praça Taksim para o mundo.
A União Europeia que, além de parceiro estratégico da Turquia, tem o desígnio estratégico de a integrar como membro deve condenar em termos inequívocos a violência, bem como as declarações e retaliações policiais incendiárias do Primeiro-Ministro e de membros do seu Governo. Apelar à contenção entre os dois lados é impróprio, tanto da União Europeia como de mensagem a passar a um país que é candidato à União Europeia.
Por isso quero aqui deixar o meu total apoio às declarações comprometidas com a democracia e os direitos humanos feitas pelo Comissário Füle na Turquia e à sua iniciativa de visitar a praça Taksim. À União Europeia não basta agora encorajar diálogo. É essencial exigir que as autoridades turcas tirem lições destes enfrentamentos e parem de forçar a subordinação religiosa dos diferentes estilos de vida na sociedade turca, parem de perseguir jornalistas e ativistas pela liberdade e os direitos humanos.
O Governo turco tem a oportunidade de corrigir a mão. É preciso que se concentre em dar espaço institucional, legal e político a uma sociedade democrática, respeitadora da transparência, accountable , e ao pluralismo religioso e político. Para isso é também preciso, como já foi dito aqui, uma oposição democrática organizada que responda aos anseios dos segmentos progressistas da sociedade turca.
Nós podemos ajudar, abrindo à negociação os fundamentais capítulos 23 e 24 e fazendo ouvir nessa negociação a voz vibrante da sociedade turca que se manifestou, que pôs no mapa do mundo a praça Taksim e o parque Gezi.