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01/02/2012
A política externa da UE relativa aos BRICS e a outras potências emergentes: objetivos e estratégias

Ana Gomes (S&D ). - Cumprimento o colega Saryusz-Wolski pelo seu trabalho e por acomodar as sugestões por mim feitas e pelo meu grupo.

A emergência dos BRICS oferece novas oportunidades à União Europeia, mas também grandes desafios para concretizar o seu propósito de contribuir para uma ordem global baseada na rule of law , na universalidade dos direitos humanos, no desenvolvimento sustentável, para alcançar segurança humana e paz para todos.

Investindo na articulação com os BRICS nos diversos Fora, incluindo o G7, o G8 ou o G20, a União Europeia poderá encontrar valiosos aliados para tecer a regulação financeira e a governação económica globais de que a humanidade tanto necessita, como demonstra a atual crise com um impacto destruidor à escala global.

Mas isto supõe que a União Europeia saiba desenvolver parcerias especiais, de geometria variável como cada um dos BRICS, tendo em atenção o seu percurso histórico, as suas distintas especificidades civilizacionais, as suas alianças, mas também a sua falta de coesão e as suas ostensivas divergências. Por vezes os BRICS concertarão a sua atuação externa numa linha dissonante com a União Europeia, como sucedeu no Conselho de Segurança no ano passado, no voto da Resolução 1973 sobre a Líbia, mas também aí, um Estado-Membro, desgraçadamente, divergiu.

Em situações semelhantes cabe à União Europeia empregar todo o seu engenho e todas as suas ferramentas diplomáticas para fazer ver a cada um dos BRICS que é também do seu interesse contribuir para o reforço de uma ordem internacional coerente, respeitável e respeitada e é evidente que se a União Europeia se empenhar na reforma e alargamento do Conselho de Segurança da ONU, o que não tem feito, terá mais capacidade de audição junto dos candidatos a membros permanentes entre os BRICS, o Brasil, a Índia e a África do Sul, sem nada perder junto da Rússia ou da China que preferem o status quo apesar de não terem a coragem de o assumir. Cabe à União Europeia saber mostrar a cada um dos BRICS que, quanto mais relevância assumem internacionalmente, maiores são também as responsabilidades que lhes são exigidas na defesa dos princípios e valores universais e numa ordem global que garanta a paz e a justiça para todos.

E é evidente que nos BRICS, cujas sociedades são hoje genuínas democracias e que têm enraizadas ligações com a cultura europeia, como é o caso do Brasil, que com Portugal, o meu país, partilha a história, a língua, a cultura e boa parte das idiossincrasias populares, há um potencial extraordinário a desenvolver em partenariados e cooperações, em todos os domínios do comércio ao desenvolvimento científico aplicado, à indústria, à proteção ambiental e climática, às energias renováveis, no combate à pobreza e na promoção da democracia.

Não foi por acaso que a presidente Dilma Roussef recentemente em Cuba recitou o refrão da canção portuguesa antifascista o povo é quem mais ordena .

 
 
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