16/02/2012
Egito: desenvolvimentos recentes
Ana Gomes, em nome do Grupo S&D . - Um ano após a revolução que desencadeou a Primavera Árabe e a queda de Mubarak, o povo egípcio continua à espera de democracia, de um Estado de Direito e de justiça social. O regime militar tem reprimido as forças motoras da revolução e as organizações locais e estrangeiras que têm trabalhado pela realização de eleições livres, transparentes e credíveis e pela criação de um Estado plural e democrático, respeitador dos direitos humanos, incluindo os direitos das minorias no Egito. O assédio policial e judicial contra a sociedade civil egípcia e estrangeira, traduzido no encerramento forçado de escritórios e interrogatórios e ameaças ao pessoal, é absolutamente inaceitável.
A União Europeia tem de apoiar as forças laicas e democráticas no Egito pressionando o regime a abolir a lei da Era Mubarak sob o registo de associações. Face às recentes declarações da Ministra egípcia para a cooperação internacional, é premente que a União Europeia, pelo menos, monitorize cuidadosamente ou até, se necessário, suspenda programas de ajuda cuja implementação cabe àquele ministério para evitar que fundos europeus sejam gastos na repressão da sociedade civil no Egito. Mais por mais também deve traduzir-se em menos por menos nos países em que as aspirações democráticas dos povos estão a ser traídas, como desgraçadamente parece ser o caso do Egito.