13/03/2013
A Síria, com uma referência específica à situação humanitária (debate)
A crise agrava-se, como já foi dramaticamente descrito hoje, na Síria, nos países vizinhos.
A União Europeia tem-se empenhado no apoio humanitário e presta homenagem ao funcionário da delegação em Damasco, Ahmad Shihadeh, que pagou com a vida a sua dedicação a ajudar o povo sírio.
Mas o apoio humanitário não chega, não é meio para se alcançar uma solução política. Eu não defendo que se forneçam armas quando não se sabe a quem e como as vir a controlar, mas outros fornecem, não nos iludamos, apesar do embargo.
É urgente a União Europeia investir mais em negociações políticas, envolvendo, desde já, os principais atores na resistência a Bashar el-Assad, para favorecer a emergência de forças políticas com uma agenda democrática não sectária, inclusiva de todas as minorias na Síria pós-Assad. O processo pode estar distante, ser duro e moroso, mas vai ser indispensável porque, depois de Assad, vai travar-se outra batalha, pela reconstrução da Síria, pela construção de uma Síria democrática contra as forças totalitárias e obscurantistas que aproveitam a presente guerra para se implantar no terreno.
É preciso também dizer à Rússia e à China, em todas as oportunidades, discretamente e com os megafones que a diplomacia consente, que está na hora de assumirem as suas responsabilidades por esta catástrofe humana de proporções incalculáveis que vai possivelmente votar a Síria, mais um país, à categoria de Estado falhado. Tudo porque bloquearam e bloqueiam a ação do Conselho de Segurança da ONU.
É preciso que os crimes de guerra na Síria de Bashar el-Assad e de outros, incluindo de forças rebeldes, sejam remetidos ao Tribunal Penal Internacional.
(O Presidente retira a palavra à oradora)