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Intervenções
13/03/2013
A situação no Mali (debate)

Senhor Presidente, a estabilização do Mali é essencial para a segurança de todo o Sahel, do norte de África, e também da Europa, e por isso eu presto homenagem à iniciativa da França e aos soldados franceses que ali se batem, alguns já tendo perdido a vida.

A missão de treino militar que a União Europeia lançou no mês passado, no contexto da Política Comum de Segurança e Defesa, tarda. As eleições de julho podem ser uma boa notícia, mas serão apenas uma etapa num processo político que tem de saber articular o esforço militar com um processo de reconciliação nacional que ainda não começou e com reformas que o Estado de direito exige e o respeito pelos direitos humanos, porque é de segurança humana para todo o povo do Mali de que se trata. E por isso é vital que a União Europeia incentive as autoridades malianas a embarcar num processo de reconciliação que envolva os representantes do povo tuaregue no esforço de consenso nacional sobre o futuro do Mali.

É também essencial que a União Europeia leve para o terreno uma estratégia ancorada na estratégia de segurança e desenvolvimento do Sahel, que combine esforço militar, ajuda ao desenvolvimento e boa governação e ajuda humanitária, que lute também contra a impunidade face a violações de direitos humanos e do direito humanitário, que continuam a ser cometidas no norte do Mali, tanto por islamistas como pelas próprias forças armadas malianas, como ainda há dias disse o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

A EUTM Mali é um passo na direção certa, numa engrenagem complexa. Interessa que os governos europeus entendam que é no Sahel, e no Mali em particular, que hoje também se acautela a segurança europeia. No Mali movimentam-se complexas redes criminosas e terroristas, que ameaçam não apenas os interesses europeus na região, mas que ameaçam a segurança dos nossos cidadãos em solo europeu. É por isso que a União Europeia tem também de repartir o esforço de segurança pelos seus Estados-Membros. E repartir em tempos de restrições orçamentais implica fazer uma gestão inteligente dos recursos existentes - humanos, militares e financeiros.

É por isso que afirmamos que o atual esquema de financiamento das missões da Política Comum de Segurança e Defesa não estimula a geração de forças e que o custeamento das missões pelos Estados contribuidores de forças impede vários membros de se envolverem nas missões da PCSD, como é bem demonstrativa a preocupante lentidão no posicionamento da EUTM Mali.

 

 
 
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