11/02/2015
Crise humanitária no Iraque e na Síria, em especial no contexto do EI (debate)
Com mais três membros deste Parlamento, em janeiro viajei de Erbil a Dohuk, no norte do Iraque, falando com autoridades, membros das comunidades cristãs e Yazidis e outras em fuga, refugiados da Síria, visitando campos de deslocados internos, falando com muitas vítimas do terrorismo do DAESH.
Vim muito crítica do insuficiente e mal direcionado apoio que a União Europeia presta na luta vital contra o inimigo comum. Pelo Iraque e pela Síria passa a linha da frente contra o terrorismo, que durante a nossa visita estava a atacar brutalmente em Paris.
A União Europeia tem de construir e coordenar uma estratégia eficaz de apoio à erradicação do Estado Islâmico. Tem de articular o apoio militar prestado por alguns Estados-Membros, reforçar o apoio aos Peshmerga que no Curdistão Iraquiano e na Síria lutam contra as forças terroristas. Tem de exercer a sua influência política junto de potências regionais para impedir que canalizem financiamento, armas e apoio logístico para o DAESH. A iniciativa dessa coordenação tem de partir da Alta Representante, exercendo as suas competências no quadro da política comum de segurança e defesa. Por muito que alguns Estados-Membros estrebuchem, eles têm de ser confrontados com as suas responsabilidades. Só enfrentando o DAESH no Iraque e na Síria podemos de facto preservar a nossa segurança. Ali alimenta-se a radicalização em solo europeu. Teremos mais atentados terroristas na Europa e fora dela contra cidadãos e interesses europeus.
Também no plano humanitário temos que fazer mais e melhor pelo apoio às populações. Em Estados-Membros que, por exemplo, dão vistos seletivos para cristãos, melhor fora que investissem no apoio humanitário e desenvolvimento para que os cristãos, os Yazidis e outras minorias não só tenham as escolas que faltam nos campos de refugiados como sintam que têm futuro no Iraque. Para eles, para as pessoas e para as suas culturas milenares pré-islâmicas, como nos disseram padres caldeus e assírios. Melhor fora também que se empenhassem em ajudar a libertar as jovens mulheres e crianças traficadas e escravizadas pelos terroristas e acolhessem aquelas que conseguiram escapar e que precisam de tratamento. Para isso é preciso urgentemente uma representação da União Europeia em Erbil. Nós precisamos também absolutamente de uma estratégia articulada de políticas internas que não continuem a financiar, a promover a radicalização dos jovens, mais de 3 mil jovens europeus que no Iraque e na Síria, hoje, espalham o terror contra as populações e que também já atuam aqui perto das nossas fronteiras, na Líbia.