12/06/2013
Reconstrução e democratização do Mali (debate)
Ana Gomes, em nome do Grupo S&D . - A democratização do Mali depende do fim da violência e da aplicação do roteiro para a transição, acordado pelas autoridades malianas e pela Comissão do Diálogo e Reconciliação. Mas também eu me interrogo se um processo eleitoral à pressa e sem condições de segurança não poderá vir a ter um impacto negativo na transição.
Estabilizar o país implica um tremendo esforço de reconciliação étnica, social e política, incluindo com a nação tuaregue, que comprometa todas as forças da sociedade maliana. O papel decisivo que as mulheres podem e devem desempenhar neste processo requer o apoio da União Europeia para garantir a sua participação, para ajudar a dar-lhes visibilidade e a fazer a diferença. Além disso, é preciso varrer as redes criminosas, nomeadamente terroristas, que desestabilizam não apenas o Mali, mas toda a região do Sahel.
Para garantir que o Mali se mantém depois no caminho da democratização, é crucial que as autoridades se empenhem, com o apoio da comunidade internacional e em particular da União Europeia, no desenvolvimento económico do país. Sem a satisfação de necessidades básicas, cuja ausência, hoje, amarra este país a fraquíssimos indicadores de desenvolvimento humano, o Mali não atingirá o limiar da segurança humana indispensável para se modernizar economicamente e consolidar politicamente.
A União Europeia tem aqui de investir numa abordagem estratégica holística que equacione a pluralidade dos desafios, incluindo a erradicação da pobreza, do subdesenvolvimento, da má governação, do crime organizado, do terrorismo, e não apenas no Mali, em todo o Sahel e na vizinha Líbia. Não conseguiremos acudir ao Mali sem nos comprometermos em toda a região.