04/10/2016
Situação em Calais
Senhor Presidente, em julho chefiei uma delegação da Comissão LIBE a Calais. Encontrámos duas realidades bem diferentes. Em Grande-Synthe, por ação de um presidente da câmara com sensibilidade humanista; em Calais, por inação de uma presidente com um discurso hostil a refugiados e imigrantes. A abordagem faz toda a diferença para encontrar soluções dignas, para gerir o afluxo que põe muita pressão nesta região de fronteira. Apesar das autoridades francesas aceitarem pedidos de asilo, as pessoas com quem falámos na jungle não perdem a esperança de atravessar para o Reino Unido onde têm família, conterrâneos, e pensam ter futuro, porque sabem que as redes de traficantes continuam ativas e passar é apenas uma questão de poder pagar, incluindo centenas de menores não acompanhados que o Reino Unido tarda em reunificar às famílias.
Etíopes, com quem falei na jungle , disseram que centenas dos seus compatriotas haviam chegado ali semanas antes, dois a três meses depois de partirem das suas aldeias, em jornadas perigosas, arriscando as vidas.
Senhor Presidente, construir muros e recusar abrir vias legais e seguras para refugiados imigrantes é continuar a dar negócio às redes de traficantes. Para além de imoral e violador dos direitos humanos, é ineficaz e só agrava a segurança da Europa.
Calais pode ser em qualquer praia europeia.