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Intervenções
13/03/2013
Relações UE-China (debate)

Senhor Presidente, a China é uma potência mundial próspera com especiais responsabilidades como membro permanente do Conselho de Segurança. A parceria estratégica entre a União Europeia e a China é por isso uma relação fundamental para encontrarmos respostas para preocupações globais - da legalidade internacional à segurança dos conflitos regionais, à não-proliferação de armas nucleares. Já hoje falámos aqui da China a propósito da Coreia do Norte e da Síria.

Também a regulação financeira e a governação económica global, o desenvolvimento sustentável e as mudanças climáticas são matérias que requerem cooperação sinergética entre a União Europeia e a China.

A União Europeia tem que ser estratégica, promover o diálogo político, económico e comercial com a China, mas defender, firmemente, os seus interesses e os seus valores, não se limitando a questões em que tenhamos posições comuns. É que muitas vezes não temos - não temos interesses comuns. É preciso assumi-lo. Ou temos com o povo chinês e não com o sistema antidemocrático e opaco que reina na China. O tal que faz os habitantes de Xangai por estes dias ironizar que os milhares de porcos que estão a boiar no rio se suicidaram por não querer respirar o ar poluído que sufoca os cidadãos.

À União Europeia cabe procurar convencer o regime chinês que é do seu interesse abrir politicamente, que é insustentável uma situação de violação dos direitos económicos, sociais, culturais, políticos e civis dos cidadãos chineses. Temos que dar visibilidade àqueles cidadãos chineses que, com grande coragem e custo pessoal, lutam pelos seus direitos humanos e por escrutinar a governação. Hu Jia, Liu Xiaobo, Ai Weiwei... são apenas alguns dos tantos nomes, incluindo tibetanos e uigures, que recorrem ao extremo da autoimolação e que deveriam recorrentemente constar em todas as plataformas de diálogo ao mais alto nível entre a União Europeia e a China.

Além disso, é do nosso interesse e das empresas europeias persuadir os parceiros chineses a mudar a forma como têm interagido com os países em desenvolvimento, em termos comerciais e económicos, que não é consistente com a promoção dos direitos humanos, do Estado de direito, transparência, proteção ambiental, etc., e desenvolvimento sustentável. Não conseguiremos promover esses valores de forma eficaz e não conseguiremos que as nossas empresas sejam competitivas de forma responsável se houver uma alternativa chinesa desprovida de supervisão democrática e de preocupações políticas, éticas e ambientais.

 

 
 
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