13/03/2013
Situação no Egito (debate)
A lentidão e as hesitações são normais em qualquer transição para a democracia mas o Egito parece estar a regredir democraticamente com muitas e muitos dos que arriscaram as vidas na Praça de Tahrir a continuar a ter de as arriscar, corajosamente, para não deixar a revolução ser desviada.
O processo constitucional, em vez de congregar as forças políticas sobre as reformas necessárias, tem criado um clima de tensão, violência e sectarismo pouco favorável à realização de eleições transparentes em 2013.
Assumindo a estratégia mais por mais, a União Europeia tem de passar mensagens inequívocas e coerentes ao Presidente Morsi e outros governantes líderes do povo egípcio de que construir uma democracia implica a participação de todas as forças políticas nas grandes decisões para a transição.
Preocupa a obstrução à participação política das mulheres e o constante assédio e violência de que têm sido vítimas por parte das autoridades, as tensões sectárias contra a minoria religiosa copta, o sistemático uso da tortura, a ameaça da pena de morte, a falta de lei e ordem no Sinai onde emigrantes são barbaramente explorados, detidos, torturados e mortos sem que as autoridades façam alguma coisa.
É importante que a União Europeia apoie financeiramente o Egito nesta fase em que os seus cidadãos se veem em condições económicas que se degradam aceleradamente, mas os 5 000 milhões não valem nada e serão até contraproducentes se não estiverem ligados a uma assumida condicionalidade no quadro de uma política de mais por mais. Temos que ser claros, dizendo que não toleramos as violações de direitos humanos e os sectarismos que, de facto, comprometem o processo revolucionário no Egito.