17/09/2014
Situação no Iraque e na Síria e a ofensiva do ISIS, incluindo a perseguição de minorias (debate)
O Iraque tem graves disfunções de governação que facilitaram a progressão do chamado Estado Islâmico do Iraque e Levante, mas não podemos negligenciar o impacto da confrontação brutal entre o povo sírio e o regime assassino de Baschar al-Assad na ofensiva desta organização terrorista que não é Estado e muito menos representa o islão.
O novo governo iraquiano tem de ser representativo da diversidade política, étnica e religiosa do Iraque e tem de dar prioridade a erradicar o sectarismo que paralisou a governação. Foi incapaz de dar resposta às mais básicas necessidades da população, em particular alineando e entregando de bandeja a minoria sunita ao oportunismo fanático do chamado EI .
A União Europeia - e não apenas alguns Estados-Membros - têm de se empenhar numa coligação internacional que, devidamente respaldada no direito internacional, operacionalize uma estratégia de contra terrorismo envolvendo apoio militar, técnico e político, na capacitação das forças iraquianas e de outras na região determinadas a combater esta ameaça.
É fundamental que os Estados da União se articulem numa posição comum que demonstre, no terreno e na arena diplomática, que a União age coordenadamente. A ameaça colocada pelos criminosos do EI não golpeia apenas minorias cristãs e aziris, curdas, assírias e outras e as populações xiitas e sunitas no Iraque e na Síria, é uma ameaça à civilização e à segurança global.
Na frente política a União Europeia não deve deixar de procurar a cooperação com o Irão e responsabilizar - da Turquia aos parceiros do Golfo - aqueles que nesses países instigam ao sectarismo na base da ideologia sanguinária do EI e para ele encaminham apoio financeiro, militar, logístico e outro. A luta contra o EI não pode também servir para marginalizar mais a tragédia síria da agenda europeia. O combate ao EI passa pelo fim do conflito sangrento na Síria.
Finalmente, a luta contra a radicalização dentro da União Europeia tem de ser outra das nossas referências. Nós temos uma estratégia de segurança europeia, uma estratégia de segurança interna, uma estratégia antiterrorista, mas não enfrentamos ainda eficazmente o problema da radicalização e do recrutamento. A nossa juventude desempregada, excluída e exposta às redes dos recrutadores. Esta é a prioridade, é hora de agir.