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Intervenções
25/11/2015
Resultado da Cimeira de Valletta de 11 e 12 de Novembro de 2015 e da Cimeira do G20 de 15 e 16 de Novembro de 2015 (debate)

Na cimeira de Valeta vimos uma União Europeia fragmentada, centrada no controlo de fronteiras e no aumento de restrições à entrada de refugiados, tentando fazer outsourcing do trabalho sujo, incluindo através de acordos de readmissão que teriam, se alguma vez fossem assinados, o mesmo papel que tiveram os que em tempos Berlusconi concluiu com o facínora Kadhafi. Vimos também governos africanos a exigirem mais investimentos e ajuda, dita de desenvolvimento, para regimes cleptocráticos e opressores e, por isso mesmo, prolíficos fabricantes de refugiados e migrantes, como os do Sudão, da Eritreia e da Etiópia, entre outros.

Sejamos claros: a União Europeia, por responsabilidade principal dos seus governos, tem falhado em travar guerras, conflitos, terrorismo, opressão e exploração económica às suas portas ou mais longe na África, a que está ligada por laços históricos e humanos. Apesar de toda a retórica, a União Europeia tem privilegiado relações com governos, por mais corruptos que sejam, e faz lip service no apoio à organização dos cidadãos africanos que se batem contra a opressão e a corrupção.

Como vimos pedindo aqui no Parlamento Europeu, há muito tempo, abrir canais legais e seguros de acesso para refugiados e migrantes é fundamental e é a principal maneira de proteger as vidas dos homens, mulheres, e crianças para que não tenham de se entregar nas mãos de traficantes e atirar-se ao mar. Esta é também a única maneira para controlarmos eficazmente as nossas fronteiras e garantirmos que organizações criminosas, incluindo as terroristas, não tirem partido da barafunda que são hot spots e outros pontos de chegada, onde não há recursos para fazer qualquer controlo sério de quem chega.

É também a única maneira de a União Europeia não continuar a alimentar o negócio dos traficantes de seres humanos. Este é um caminho que os governos sentados no Conselho não têm querido explorar. Resistem por falta de coragem política e de visão estratégica e, designadamente, da importância da sinergia de apoiarmos quem se bate pelos direitos humanos e pela boa governação em África.

Com cimeiras de Valeta, enganamos os nossos cidadãos, falhando nas obrigações legais e morais relativamente aos refugiados e aos africanos e, sobretudo, não contribuímos para a segurança da Europa e global.

 

 
 
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