04/10/2017
A Constituição, o estado de direito e os direitos fundamentais na Espanha face aos acontecimentos na Catalunha (debate)
por escrito . - O referendo de 1 de outubro foi unilateral, não permitindo que parte significativa da população da Catalunha votasse: mas só aconteceu porque não houve negociação sobre um estatuto autonómico num quadro constitucional em que a entidade nacional catalã se possa afirmar. Eu sou europeísta e federalista, logo contra a fragmentação de Estados e nacionalismos na UE.
Mas ninguém fez e está a fazer mais pela causa independentista da Catalunha do que o governo do Sr. Rajoy, somando à recusa de negociar a repressão de pacíficos cidadãos que queriam votar, a que todo o mundo assistiu horrorizado no passado dia 1. A tragédia do franquismo que conduziu à guerra civil em Espanha está na nossa memória coletiva. Como portuguesa, não posso deixar que resvalemos para mais enfrentamento violento. A UE não pode ficar à margem, a coberto do argumento estéril da legalidade: este problema não é apenas espanhol, é de toda a UE: afetados seremos todos se a Espanha se partir ou explodir em mais violência. É premente que a UE intervenha e facilite o diálogo e a negociação, contra medidas unilaterais que só farão escalar a violência.