11/09/2013
Situação no Egipto (continuação do debate)
Senhor Presidente, o Egito precisa de reconciliação nacional, um processo inclusivo e respeitador dos direitos humanos. Precisa de um plano de ação com um calendário para a redação de uma nova Constituição para eleições presidenciais e parlamentares com garantias de transparência.
Não há democracia sem inclusão. Uma força política com a representatividade da Irmandade Muçulmana não pode ficar fora do jogo democrático. Condená-la à clandestinidade é fomentar o radicalismo político religioso, a insurgência, é liquidar a democracia.
O governo de transição tem de libertar o Presidente Morsi, acabar com a perseguição aos simpatizantes da Irmandade Muçulmana, respeitar e fazer valer as liberdades de expressão, de associação e de imprensa. O fecho de quatro canais de televisão e de mesquitas não vão no bom sentido.
A Senhora Alta Representante tem capacidade de diálogo com todos os interlocutores egípcios, incluindo a Irmandade Muçulmana. Deve usá-la, para incentivar as verdadeiras reformas que são necessárias. Tem que se concertar com os Estados Unidos, tem que se concertar designadamente com pressões sobre os atores regionais que competem entre si no financiamento dos grupos extremistas que fomentam a polarização da sociedade egípcia.
Os ministros europeus decidiram suspender todas as licenças de transferência de armas e de tecnologia militar para o Egito, mas temos um problema de credibilidade: na lista não está o gás lacrimogéneo, e há items que não têm licença nos países membros da União Europeia. Esta é uma questão essencial para a nossa credibilidade e para a eficácia também da nossa intervenção no Egito.